Catarina Troiani

Catarina Troiani, dom de amor e solidariedade
Ir. Solange A. Novaes

A parábola evangélica do bom samaritano, onde Jesus revela que o amor verdadeiro se reconhece nos gestos de solidariedade para com quem está próximo e sofre, é a mais bela imagem para exprimir o que foi a vida de Catarina Troiani. Como discípula e missionária de Jesus Cristo, ela esteve ao lado de cada irmão, oferecendo-lhe amorosamente a sua mão benévola e pagando o preço com a própria vida.

Nasceu na Itália, na cidadezinha de Juliano de Roma, no dia 9 de janeiro de 1813. Terceira filha de uma rica família, viveu tranqüilamente sua infância até os 6 anos de idade, quando, com a perda da mãe, foi acolhida no convento e escola "Santa Clara da Caridade" em Ferentino, para ser educada.

Aos 16 anos sentiu-se chamada por Deus e decidiu consagrar-se a Ele. Como religiosa, desenvolveu neste mesmo convento, o serviço de professora e secretária.

Mulher perspicaz e dinâmica, intuiu que o Senhor ia abrindo largos horizontes na sua vida, e sentiu o forte chamado para a missão "além-mar". Seu desejo era viver e anunciar a todos que, em Jesus, Deus caminha ao nosso lado e nos quer bem, por isso, viver uma vida digna deste amor é glorificá-lo.

Depois de uma longa espera e contatos com alguns missionários, foi convidada para ir ao Egito e acolheu a proposta juntamente com outras 6 irmãs. Tinha 46 anos de idade. Lá dedicam-se a várias iniciativas missionárias, entre elas a educação, o resgate de crianças escravizadas e rejeitadas, às quais tinha uma particular sensibilidade, à promoção da dignidade da pessoa e da família.

Alguns anos depois, destacando-se das Irmãs de Ferentino, deu início ao novo Instituto, que logo obtém a aprovação da Igreja: hoje, as franciscanas missionárias do Coração Imaculado de Maria que, no primeiro momento de fundação eram chamadas "Irmãs Franciscanas Missionárias do Egito".

Jesus, a quem Catarina se consagrou e amou durante os anos de clausura, tornou-se agora, com maior força, o "seu amor crucificado" a quem serviu nos pobres e sofredores do Egito. Em seguida, a missão iniciada por ela cresceu e se desenvolveu em vários outros países da Europa, da Ásia, da América e da África. No ano de 1907 as missionárias chegam também ao Brasil.

Completou sua vida em 6 de maio de 1887. Estimada pela sua grande caridade para com todos, foi beatificada pelo papa João Paulo II no dia 14 de abril de 1985.

Para o povo do Cairo foi a "mãe dos pobres", mas para todos nós continua sendo uma luz: a vida se torna significativa quando tem um propósito que vale a pena, quando se torna dom de amor e solidariedade.