“Cada Igreja é chamada a manifestar a universalidade do cristianismo que está presente em cada tradição e a mostrar como esta sua catolicidade está a serviço da humanidade inteira”. Esta é a reflexão exposta em artigo publicado na revista Bote Fé deste trimestre pelo bispo de Barra do Piraí-Volta Redonda (RJ), dom Francesco Biasin, que preside a Comissão Episcopal Pastoral para o Ecumenismo e o Diálogo Inter-religioso da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

“A unidade é a cura do mundo” é o título do artigo publicado na revista da editora Edições CNBB para os meses de abril a junho, período no qual é vivenciada a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, neste ano, de 13 a 20 de maio, próxima à Solenidade de Pentecostes.

Em seu texto, dom Biasin perpassa a trajetória do ecumenismo iniciada no Concílio Vaticano II até o papa Francisco, com uma motivação de que a unidade da Igreja não se finaliza em si própria, mas “é um fermento para a unidade de todo o gênero humano”.

“E esta humanidade unificada deveria saber escutar o grito da terra. Se nós não pensarmos a unidade cristã dentro do horizonte mais amplo da unidade e da cura do mundo em que vivemos, podemos cair na armadilha de professar uma religião civil, dos nacionalismos, da aliança com o poder que, bem o vemos, são um obstáculo à realização da unidade dos cristãos”, afirma o bispo.

Ecumenismo a partir do Concílio Vaticano

Dom Biasin inicia sua reflexão citando o papa João XXIII, que abriu o concílio incentivando os bispos a terem uma abordagem “diferente diante de doutrinas julgadas erradas”. Ao invés da condenação com grande austeridade, o remédio da misericórdia, “acreditando atender às necessidades de hoje ao explicar a validade da sua doutrina mais plenamente em vez de condenar”.

E assim aconteceu. “Ao invés de condenar os ‘irmãos separados’, emitiu o decreto Unitatis Redintegratiosobre o ecumenismo”, recordou dom Francesco Biasin. O texto conciliar diz: “O Senhor dos séculos, porém, prossegue sábia e pacientemente o plano de sua graça a favor de nós pecadores. Começou ultimamente a infundir de modo mais abundante nos cristãos separados entre si a compunção de coração e o desejo de união. Por toda a parte, muitos homens sentiram o impulso desta graça. Também surgiu entre os nossos irmãos separados, por moção da graça do Espírito Santo, um movimento cada vez mais intenso em ordem à restauração da unidade de todos os cristãos”.

Esta é uma visão otimista a respeito da unidade dos cristãos, observa dom Biasin. Mas, por outro lado, anos mais tarde teve início a fragmentação que explodiu em numerosas Igrejas cristãs pentecostais e neopentecostais, estas mais recentemente, de acordo com o bispo. Na década de 1980, também as igrejas históricas viram o ideal ecumênico perder força: “Elas começaram a se preocupar com questões mais internas, desenvolvendo uma reflexão teológica autorreferencial, uma espiritualidade que marca fronteiras e uma ação missionária isolada”, conta.

O Papa Francisco e o ecumenismo

Após fazer memória, dom Biasin recorda o papa Francisco e seu envolvimento com a preocupação ecumênica. Para o pontífice, deter-se no passado, “persistindo em recordar os males sofridos e cometidos, e apenas julgando com parâmetros humanos, pode paralisar e impedir que se viva o presente”.

Para dom Biasin, o papa Francisco é aquele suscitado pelo Espírito para a Igreja hoje. O bispo de Roma tem sido incansável em todas as ocasiões de abrir novos horizontes para o ecumenismo e o diálogo inter-religioso, “superando todas as fronteiras e unindo mãos e corações num abraço planetário em busca da paz”.

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Por CNBB