Três árvores

Três árvores

Respinguei a presente estória do instrutivo programa matutino do professor Osvino Toillier, na Rádio União de Novo Hamburgo.

Três importantes árvores no topo de uma montanha porfiavam numa disputa de grandiosidade. Acostumadas a ouvir elogios á sua estatura física, estremeceram ao ouvir uma voz que ameaçava abatê-las. Logo elas, as árvores mais altaneiras da região!

A ameaça virou realidade. A primeira árvore foi cortada. Conformada com o destino sonhava agora em decorar o palácio do rei. Mas, qual não foi seu desapontamento quando se viu transformada numa manjedoura. Num coxo. Menos mal, a tristeza cedeu à alegria quando uma criança foi reclinada ao coxo e os anjos do céu anunciavam seu nascimento ao mundo.

Não demorou para que a fatalidade atingisse o segundo tronco. Como não adiantava insurgir-se contra a sorte, excogitou uma maneira digna de sobreviver; fazer parte de um navio e percorrer o mundo. Belo sonho! Triste decepção! Foi transformada num rústico barco de pescadores. Certo dia o mar agitado ameaçava engolir a embarcação com os pescadores. Um peregrino que dormia na popa foi acordado às pressas. Ele criticou a pouca fé da tripulação e, depois, estendendo os braços, ordenou aos ventos e às ondas que se acalmassem.

A terceira árvore era a mais gigantesca. Reinava sobranceira sobre a floresta. Autêntica representante da flora. De nada adiantou sua altivez. O algoz, de machado na mão, examinou o terreno, lançou um último olhar à copa e decepou a sentença. A cada golpe do machado o tronco gemia e perdia forças até tombar qual heroico guerreiro. Antes de poder planejar o futuro viu-se dilacerado em vigas. Um dia as vigas no depósito foram disputadas por uma turba enfurecidas. Fizeram uma cruz e nela crucificaram um homem que viera para salvar os homens.

Lição.

O episódio das árvores oferece várias leituras: fala de nascimento, vida, morte.

Todos nós, adultos e jovens, forte e fracos, podemos ser úteis se conformamos nossa vida aos planos de Deus, cientes de que os caminhos de Deus não obedecem aos caminhos do homem. As aparências exteriores enganam. A robustez da árvore não se deve nem aos galhos, nem às folhas, nem às flores, mas às raízes invisíveis que buscam no solo os nutrientes para o crescimento da espécie.

A natureza vive e canta; no trino das aves, no sorriso das flores, no murmúrio da fonte...pelas pegadas da areia posso adivinhar se por ali transitou um homem ou um animal. Assim, olhando par as maravilhas do universo posso dizer que ali passou a mão de Deus.

O importante na vida não é ser útil como se deseja mas como se pode. Por isto não olhemos apara a rosa desfolhada, mas para a roseira e alegremo-nos com os frutos que ela ainda tem para dar.

Não há sacrifício inútil quando devotado ao bem comum.

O sol vai mergulhado no horizonte. E assim como ele vai cada tarde e, pela manhã nasce de novo, assim vive e nossa alma de esperanças que surgem do meio das desilusões do mundo.