MADRE MARIA CATARINA TROIANI E SEU INSTITUTO

 

Itália, a nação ocidental da Europa, é como uma série de eirados abertos para o mar. Para o mar donde os heróis, os guerreiros, os nobres, que imortalizaram a sua Pátria, participam certo dia em busca de novos mundos, de novas lutas, de novas vitórias.

JULIANO DE ROMA – É nesse canteiro que desabrocha para o mundo dos viventes uma flor delicada  e pura, filha legítima de Tomás Troiani e Tereza Pánici-Cantone.

 

19 DE JANEIRO DE 1813

A residência da distinta família Troiani estava em festa. “Que linda menina nasceu” No mesmo dia foi levada à Pia Batismal, na Igreja Paroquial de Santa Maria Maior, recebendo o nome de Costanza Domenica Antonia.

Desde a infância, o sofrimento começou burilar a alma da futura missionária, Morte acidental roubou-lhe a progenitora e Costanza, com apenas 6 anos de idade, foi entregue às Irmãs da Santa Clara da Caridade, no Mosteiro de Ferentino. Acolhida com afeto maternal, soube corresponder com afeição e ternura.

Muito cedo, enamorou-se pelas virtudes; era sempre a primeira na oração, no trabalho e no sacrifício, adquirindo das Clarissas um genuíno espírito franciscano.

Aos 16 anos, resolveu fazer-se Religiosa e ingressou no Instituto que a recebera e educara.

 

8 DE DEZEMBRO DE 1829

Festa da Imaculada Conceição, a jovem Costanza recebeu o santo hábito religioso das mãos do Exmo. Mons. Lais. Bispo de Ferentino e o seu nome foi mudado para irmã Maria Catarina de Santa Rosa de Viterbo.

 

16 DE DEZEMBRO DE 1830

Eis que, dominada pela graça de Deus, Irmã Maria Catarina entrega-se totalmente a Ele, pela sua Profissão Religiosa. Tinha 18 anos incompletos.

Foi com grande humildade que desempenhou os elevados cargos na Comunidade, tanto no magistério como na vida em comum.

Inspirou tal confiança a todas as Irmãs, que não hesitaram em conferir-lhe o cargo de “ consultora do Mosteiro”.

Irmã M. Catarina trabalhou muito ao lado de Madre M. Aloísia Castelli, pondo em evidência zelo ardente  e inquebrantável energia, principalmente na luta que manteve para garantir ao Mosteiro uma sólida posição jurídica, não consentindo que lhe fosse subtraído o caráter franciscano, e muito menos que o agregassem ao Instituto das Mestras Pias. O Mosteiro foi reconhecido pela Santa Sé e SUS Regras e Constituições, conformes ao espírito de Santa Clara, foram igualmente aprovadas.

Irmã M. Catarina viveu no Mosteiro de Ferentino até a idade de 46 anos. Mas, esse asilo, tão caro ao seu coração, parecia-lhe um campo de atividade muito limitado; sua alma ardente vislumbrava um novo apostolado; sonhava com trabalhos missionários em regiões longínquas entre idólatras e pagãos, a quem poderia levar a Luz do Evangelho. E Deus tem Seus planos….A Terra dos Faraós seria o seu campo de ação.

O Revmo. Pe. José Módema de S. Remo, confessor ordinário das Irmãs do Mosteiro de Santa Clara, partiu para o Egito afim de fazer uma série de conferências. Lá chegando, ouviu Mons. Perpétuo Guasco, Delegado Apostólico de Alexandria, queixar-se da extrema penúria espiritual da sua diocese, pela falta de Religiosas que se dedicassem à educação da mocidade. Pe. José Módena falou-lhe das Irmãs de Santa Clara de Ferentino e, por inspiração divina, propôs ao Bispo chamar algumas para sua diocese. Mons. Guasco aceitou prontamente a magnífica proposta, pedindo que rezassem.

Efetivamente, de volta ao Mosteiro de Ferentino, O Pe. José Modena manifestou os desejos de Mons. Guasco, não sendo vão ao seu pedido.

Passaram-se longos anos para que fosse realizado o sonho de Irmã M. Catarina, até que a ……………….

 

17 DE FEVEREIRO DE 1859

A Proposta foi aceita por todas as Irmãs e Irmã M. Catarina foi a primeira a levantar-se para acolher o pedido e demonstrar seu entusiasmo. Todas na sua disponibilidade, se preparavam com orações, aguardando ansiosas o momento de partir para as missões. Eram: M. Aloísia Castelli, Irmã M. Catarina. Irmã M. Afonsina, Irmã M. Ângela, Irmã M. Paulina e Irmã M. Isabel.

 

27 DE JULHO DE 1859

Autorização documentada, do Exmo. Cardeal Barnabó, Prefeito da Sagrada Congregação da Propaganda Fide, para a nova missão.

 

25 DE AGOSTO DE 1859

As novas missionárias partiram de Ferentino para Roma, acompanhadas pelo Revmo. Pe. José Módena. De Roma, seguiram para Civitavecchia e finalmente para o Egito.

A separação da cidade de Ferentino e do santo Mosteiro, que a recebera tão pequenina e onde deixava todas as recordações e pessoas amadas, foi dolorosa para Irmã M. Catarina. Nessa hora uma estranha agonia lhe assaltou o coração, um misto de dor e alegria lhe confrangia a alma delicada. Mesmo assim, teve coragem para lutar e vencer. A viagem correu serena de Roma até Malta. Alí, como um raio rasgasse o espaço azul anunciando terrível tempestade, uma notícia alarmante se espalhou a bordo: o Delegado Apostólico de Cairo, que convidara as irmãs para a nova missão, falecera. Mas as intrépidas Irmãs não desanimaram. Cheia de fé e confiança, Irmã M. Catarina soube despertar a coragem nas Irmãs amedrontadas com o inesperado acontecimento: “ Coragem, avante. Imenso é o mar, mas a bondade e a Previdência de Deus são imensamente maiores”.

 

11 DE SETEMBRO DE 1859

Irmã M. Catarina e suas cinco companheiras desembarcaram em Alexandria no Egito.

 

14 DE SETEMBRO DE 1859

Festa da exaltação da Santa Cruz. Festivamente recebidas por uma imensa multidão, as Irmãs entraram em Cairo. Foram acolhidas pelos Revmos. Pes. Franciscanos da Província de Muski e conduzidas à Igreja com tochas, onde se realizaram cerimônias de ação de graças.

Nesse dia foi fundada a primeira missão italiana feminina em terra estrangeira. Clot-Bey foi o ligar escolhido para residência das Irmãs; era um povoado muito pobre.

 

4 DE OUTUBRO DE 1860

Com a benção de Mons. Wuicic. Sucessor de Mons. Guasco, as Missionárias abriram as portas às 10 primeiras negrinhas, trazidas de Alexandria pemo Ervdo. Pe. Ferino Albertini. Irmã M. Catarina, sempre caridosa, afável e paciente, entre seus pobres anjinhos negros era chamada: “ Mamma Bianca”

 

1862

Em virtude da saúde precária e muito abalada da madre M. Aloísia Castelli, logo depois de sua chegada a Clot-Bey, a Irmã M. Catarina foi nomeada presidente da Missão.

 

1863

Foi eleita Abadessa ou Superiora Geral da Missão.

Ia  a Serva de Deus desempenhando estes espinhosos cargos com admirável prudência e reconhecida abnegação quando em…………….

 

1865

O mosteiro de Santa Clara da Caridade de Ferentino  resolveu renunciar a missão no Egito.  Foi nesta circunstância que se manifestaram claramente sobre Madre M. Catarina os desígnios da Providência. Com a decisão da Casa Mãe era necessário que as Irmãs Missionárias do Cairo ou, então, que fundassem um NOVO INSTITUTO. Madre M. Catarina reuniu as Irmãs, consultou-as, encorajou-as, depois foi aconselhar-se com o Delegado Apostólico e decidiu ficar no Egito, fundando um Novo Instituto.

O NOVO INSTITUTO SURGE

Poderia esta alma apóstola abandonar a messe, que crescia viçosa aloirando os campos do Senhor?

Nesta situação, as dificuldades não eram poucas nem leves. Era necessário que a Santa Sé aprovasse seus projetos. Madre M. Catarina partiu para Roma e, com a máscula energia de sua têmpera ardente de fé e amor, trabalhou junto a Sagrada Congregação da Propaganda Fide.

 

30 DE JUNHO DE 1868

Seu anelo era um fato consumado. Estava fundado e aprovado o Instituto das Irmãs Franciscanas do Cairo, sob o Pontificado de Pio IX.

A Regra da Ordem Terceira com Constituições adaptadas às Religiosas não mais claustrais, mas “missionárias”, foi aprovada pela Santa Sé, sendo adotada pelas Irmãs Franciscanas do Cairo, e em………………..

 

3 DE DEZEMBRO DE 1868

Após a ereção canônica do novo Instituto, 9 candidatas receberam o Hábito religioso.

 

9 DE AGOSTO DE 1876

A pequena família religiosa passou a denominar-se: “ Irmãs Franciscanas Missionárias do Egito” e Madre M. Catarina de Santa Rosa do Viterbo, confirmada no cargo vitalício de Superiora Geral.

O espírito empreendedor ativo de Madre M. Catarina não podia ficar muito tempo circunscrito no estreito ambiente de Clot-Bey. Surgiram, então, novas Casas do Egito, em Milão, Malta e Ásia.

 

5 DE FEVEREIRO DE 1877

Realizou-se em Cairo o Iº Capítulo Geral do Novo Instituto, do qual participaram todas as Superioras das casas dependentes por convocação da Madre Abadessa. Foi eleita oficialmente a Superiora Geral, a Veneranda Fundadora, Madre M. Catarina de Santa Rosa de Viterbo.

 

26 DE ABRIL DE 1883

Festa de Nossa Senhora do Bom Conselho, houve o IIº Capítulo Geral. A Grande esperança de Madre M. Catarina era a sua exoneração de um cargo de tanta responsabilidade. Mas, os caminhos do Senhor não são sempre conformes às nossas expectativas e Madre M. Catarina foi reeleita.

Para as suas filhas espirituais, Madre M. Catarina foi uma mãe terna e afetuosa. Afável, sem sombra de fraqueza ou fingimento, amava a todas com amor e predileção e não tinha em vista senão a santificação de cada uma.

Era patente em sua vida e identificação de sua espiritualidade com a do Seráfico Pai. De fato, o Instituto de Madre M. Catarina surgiu como viçoso rebento do Franciscanismo, tendo como fisionomia o abandono amoroso a Deus, absoluta disponibilidade à Sua Santíssima Vontade, contemplação da Humanidade de Cristo no mistério inefável de Sua Encarnação, Paixão e Morte, no Dom da Eucaristia  e da Mãe Divina, Catolicidade plena, e perfeita orientação eclesial, humildade, pobreza, desapego generoso de tudo, simplicidade, bondade, cortesia, ternura, delicadeza para com todos e alegria perene no coração.

Decorrendo o tempo, Madre M. Catarina sentia que as forças lhe iam faltando, tendo já 74 anos de idade e 57 de Vida Religiosa.

 

24 DE MARÇO DE 1887.

Vigília da Anunciação de Nossa Senhora, caiu gravemente enferma.

 

10 DE ABRIL

Voltou ao leito, para não mais levantar-se. De nada valeram os remédios e a ciência dos médicos mais célebres.

A Veneranda Fundadora pressentia seu próximo fim. Após tantos sofrimentos, ia receber a coroa da vitória das mãos de seu Divino Esposo.

 

6 DE MAIO DE 1887

ÀS 11,15 hs. Com a serenidade e paz dos justos, a Seva de Deus fechava os olhos para este mundo e sua alma voava para o céu. Seu corpo foi sepultado no Cemitério Velho do Cairo.

A primeira graça da Veneranda Fundadora foi para o instituto de seu coração. Sendo Madre M. Colomba Viola Superiora da Casa de Jerusalém, na noite após a morte de Madre M. Catarina, esta lhe apareceu dizendo: “ Apresenta-te, minha filha,  e vai a Cairo. Tu me substituirás”. Madre M. Colomba, surpresa, excusou-se , alegando não ser digna. Madre M. Catarina suplicou; “ Não te excuses, mas fazê-lo pelo bem do Instituto. E desapareceu.

Efetivamente, na manhã seguinte Madre M. Colomba era chamada a Clout-Bey. Entre o IIº e o IIIº Capítulo houve uma reunião extra, sendo eleita Superiora Geral, Madre M. Colomba Viola Del Sacro Cuore, no dia 7 de maio de 1887

 

9 DE MAIO DE 1889

IIIº Capítulo Geral. Madre M. Colomba Viola foi reeleita, governando o Instituto durante 30 anos. Até o VIIº Capítulo Geral foi reeleita a mesma.

 

9 DE NOVEMBRO DE 1897

Por rescrito da Sagrada Congregação, o Instituto foi agregado, para direção espiritual, à Ordem dos Frades Menores, sem prejuízo da jurisdição do Ordinário.

 

1902

A Superiora Geral, Madre M. Colomba estabeleceu a sede do governo generalício e o Noviciado em Roma, durante o Pontificado glorioso de S. Pio X.

 

1907

Surgiu o primeiro núcleo brasileiro em Sacramento e Uberlândia, porém, em 1914 as Irmãs se fixaram definitivamente em Jardinópolis.

 

25 DE ABRIL DE 1919

Realizou-se o VIIIº Capítulo Geral sendo eleita Madre M. Augusta Radaeli Del Preziosissimo Sangue. Intrépida Missionária,  abriu Noviciados em quatro partes do mundo. A mesma foi reeleita no Capítulo seguinte.

 

26 DE NOVEMBRO DE 1928

Com o aparecimento de vocações, foi forçoso fundar um Noviciado brasileiro anexo à Província, na cidade de Amparo – Est. S. Paulo, sendo eleita a primeira Superiora Provincial, Madre M. Elena Mariani. Generosa e empreendedora, muito trabalhou pelo progresso da Congregação. É justo relembrar aqui as bravas pioneiras que acompanharam Madre M. Elena Mariani – Madre M. Genarina Bassi e Irmã M. Tarcísia Perego, dignas filhas de Madre M. Catarina que embebidas pelo mesmo ideal, por primeiro pisaram terras brasileiras e aqui ergueram a custa de trabalhos exaustivos, sacrifícios incríveis e fadigas inúmeras, os pedestais da Nova Província que hoje viceja sob a égide de S. Francisco. Desde então, Amparo tornou-se o foco luminoso de todos os triunfos.

 

1931

Foi eleita a segunda Superiora Provincial, no Brasil, Madre M. Rosalinda Verga, em cujo governo fez florescer muitas obras de apostolado.

 

 20 DE MAIO DE 1931

Foi realizado o Xº Capítulo Geral sendo eleita Superiora Geral Madre M. Stefanina Manzoni Del ‘Imacolata, a mulher forte que com coragem governou o Instituto mesmo nos duros anos da Segunda Grande Guerra. Foi reeleita no Capítulo seguinte.

 

16 DE JULHO DE 1947

Realizou-se o XIIº Capítulo Geral com a eleição da 5ª Superiora Geral Madre M. Angelita Raggi, alma vigilante que visita, aconselha a consolida todo empreendimento. Nos Capítulos seguintes até o ano de 1965  Madre M. Angelita assumiu o governo da Congregação.

Madre M. Gisela Varisco, no Brasil foi eleita Superiora Provincial, que no seu curto, mas eficiente governo, fez tudo quanto lhe permitiram as forças bastante depauperadas.

No ano de 1950, com uma ligeira modificação no hábito, as Filhas de Madre M. Catarina receberam autorização da Santa Sé para denominarem-se oficialmente: “ Irmãs Franciscanas Missionárias do Coração Imaculado de Maria”. Esta denominação encerra um programa: IRMÃS.

É o prefácio harmonioso da nova e  atraente denominação.

FRANCISCANAS

Distintivo e especificação de uma espiritualidade evangélica – a de São Francisco de Assis.

 

MISSIONÁRIAS

Este título heroico revela a natureza da Congregação.

 

DO CORAÇÃO IMACULADO DE MARIA

Somos filhas de Maria, aureoladas do refulgente candor que emana do Coração Imaculado e cheio de graça, teremos nossa realização evangélica, missionária e mariana, com Jesus, para glória do Pai. Sob proteção maternal de Maria, o Instituto viceja e prospera, desenvolvendo vasto programa de ação, traçado pela grande Fundadora. Retrata-se no escudo, cuja significação e: lutas inevitáveis e defesas justas.

O escudo da Congregação se distribui em três campos:

 

ZONA SUPERIOR –  O braço de Jesus e de São Francisco entrelaçados no místico abraço, unidos por refulgente cruz, símbolo da caridade que une transforma e aperfeiçoa, repousando num pedestal de nuvens. O azul simboliza a Fé que tudo eleva para Deus.

 

ZONA INFERIOR ESQUERDA – Pátria de origem e primeiro campo de ação das Irmãs F. M. C. I. de Maria: BANDEIRA EGÍPCIA.

 

ZONA INFERIOR DIREITA: – Navio que transporta as Missionárias a todas  partes do mundo. Os três cravos significam as dores e sacrifícios que devem desabrochar em palmas e flores, coroando as obras empreendidas pela causa de Cristo.

Encimando o escudo, ostenta-se o Coração de Maria, circundado de rosas, abrasado em chamas e transpassado pela espada profética de Simeão.

1950

Foi nomeada a 4ª Superiora Provincial, no Brasil, Madre M. Veneranda Binaghi, que, por 12 anos, com espírito prudente e compreensivo, norteou o seu governo pelo amor à Congregação e ao bem das almas.

 

JANEIRO DE 1958

Sob o Pontificado de Pio XII foi inaugurada a nova Cúria Generalícia, também em Roma – Via Catarina Troiani, 90. Aí floresceu o Noviciado principal da Congregação.

 

14 DE SETEMBRO DE 1959

Solenemente celebrado o 1º Centenário da Fundação. Após cem anos, graças a Deus e à proteção da SSma. Virgem, o Instituto prossegue na execução de seu objetivo: “ Maior Glória de Deus, expansão da Congregação e formação de Missionárias para a messe”. E nós, filhas de Madre M. Catarina, jubilosas unimos nossas preces num “ Muito obrigada, Senhor!”

 

1962

Foi designada a 5ª Superiora Provincial, para direção da Província brasileira, Madre M. Laura França Veado. 1ª Provincial brasileira, que deu à Congregação provas de seu amor à mesma num apostolado fecundo de amor a Deus.

 

16 DE JULHO DE 1965

Foi realizado o XVº Capítulo Geral, Madre M. Emerenziana Gualdi, alma dinâmica e profundamente humilde, dotada de grande capacidade e intensa vida interior. Vem dando ao seu governo orientação segura, conduzindo-nos a uma verdadeira renovação pós-conciliar, de acordo com os desejos do Vaticano II.

 

12 DE SETEMBRO DE 1965

Foi eleita Superiora Provincial a segunda Religiosa brasileira, Madre M. Hortênsia Specian, a mulher forte, predestinada por Deus para guiar a nossa Província com seu espírito enérgico e prudente unido à bondade e simplicidade. Ao seu desejo ardente de ser útil ao Instituto está aliado um zelo incontido de corresponder aos dons do Esposo Divino.

Assim como o sol com seus raios brilhantes e coloridos traz sempre um novo dia, o Concílio Vaticano II veio trazer nova vida no seio da igreja e do mundo, marcando uma época de expectativa e ao mesmo tempo de confiança na história da humanidade.

Atendendo ao apelo de Sua Santidade Paulo VI, de renovar a Vida Religiosa, nossa Congregação, tendo a frente a Revma. Madre Geral, reuniu uma comissão afim de elaborar um questionário onde todas as Religiosas das 142 casas existentes nas 7 Províncias, pudessem, livremente, manifestar os seus anseios de renovação mais autêntica e profunda. Prontos e devolvidos estes questionários à Casa Generalícia, mais um passo era dado para realização do Capítulo Especial.

E nossa Província dirigida pela intrépida Madre M. Hortênsia, alma de escol, idealista, foi impulsionada à corresponder às solicitações do grande movimento da Igreja. Para isto foi eleita a equipe das Delegadas  simbolizando as cito bem-aventuranças do Brasil:

Madre Provincial; Madre M. Placídia; Madre M. Emília; Madre M. Santina; Madre M. Clara, Madre M. Isabel, Madre M. Constância, Irmã M. Cornélia.

 

26 DE JUNHO DE 1968

O majestoso Air France levou em seu bojo a Delegação da Província brasileira para brasileira para o Capítulo Especial.

 

7 DE JULHO DE 1968

Teve início o Capítulo Geral Especial para a Renovação do Instituto, que conforme a expressão da Revda. Madre M. Hortênsia, “ foi a sintonização dos trabalhos às diretrizes da Igreja docente, à busca fiel da mensagem de Cristo no mundo de hoje.”

Como roteiro geral disse o Pe. Gambari: O escopo deste Capítulo, para a igreja e para o Instituto, é pastoral, real, concreto. Necessário é que deste capítulo o Instituto saia transformado, renovado, como saiu a Igreja do Vaticano II. Este foi chamado o novo Pentecostes”.

E nosso Instituto, num esforço contínuo para realizar sua missão, como presença ativa do Franciscanismo  na Igreja do Concílio, procura dar todas as possibilidades para seus membros se realizarem responsável e conscientemente, na caridade perfeita, tendo como lema: fazer tudo a todos, quer na sobras específicas, quer no Plano de Pastoral vivendo como irmãos, a serviço da comunhão de amor com Deus e com os homens, inseridos na realidade da igreja de hoje, no local em que estamos.

Por isso, nesta era espacial, precisamos colocar-nos em situação concreta ( hoje, no lugar em que realmente estamos, naquilo que nos ocupa) para sermos autênticas Cristãs Franciscanas).

Estamos em situação de busca de novos caminhos; precisamos sondar os sinais dos tempos através dos acontecimentos, das exigências e das aspirações do homem, agindo com inteligência sob a ação do espírito santo, para discernir a vontade de Deus e Seus desígnios sobre nós, para poder dizer “… seja feita a Vossa Vontade”. E a indagação deve ser constante – “Senhor, que quereis?” porque nossa vida deve ser uma resposta contínua e sempre renovada ao Carisma Franciscano Missionário que Deus nos oferece, resposta amorosa, sujeita a etapas de crescimento e amadurecimento enquanto vivemos.

Não foi outra a  aspiração de nossa Venerável Madre M. Catarina na sua sede de franciscana de salvar almas.

Seja nosso perene canto de amor: “ Per Ipsum, cum Ipso et in Ipsum!”

BIBLIOGRAFIA:
Biografia da Irmão Maria Cataria de Santa Rosa de Viterbo
Revista do Centenário da Congregação
Clausura e Missione
Mamma Bianca

PROCESSO DE CANONIZAÇÃO DE MADRE MARIA CATARINA

6 DE MAIO DE 1937

A Postulação dos Frades Menores iniciou o Processo sobre a fama da santidade no Egito, Jerusalém e Ferentino. Foi colocada assim na categoria de Serva de Deus. Era Postulador o Revdo. Pe. Fortunato Scipioni.

 

1939

Os processos foram escritos sobre “ não culto “. O responsável pela causa o Exmo. Cardeal Carlo Salotti.

 

1940

Decreto de aprovação dos trabalhos.

 

1945

Sagrada Congregação dos Ritos emitiu decreto sobre “não culto” e deu a faculdade ao Postulador para introdução dos processos apostólicos sobre as virtudes da Serva de Deus. Falecido o Cardeal Salotti em 1953, os trabalhos foram continuados pelo Exmo. Cardeal Clemente Micara.

 

1954

Declaração de validade dos Processos Ordinários e Apostólicos e por cinco anos a Postulação trabalhou em torno aos processos para um milagre.

 

1959 – 1960

Tudo já estava pronto para a Sessão ante-preparatória às discussões sobre a heroicidade das virtudes da serva de Deus, pelo Postulador, Revdo. Pe. Antônio Cairoli, quando surgiu o Concílio Vaticano II obrigando a suspendê-la por causa dos numerosos trabalhos conciliadores.

 

1967

Eleito o novo Postulador, Exmo. Cardeal Paolo Giobbe, houve a sessão ante-preparatória, dando prossecução aos trabalhos recomeçados, que seguem normalmente.

Serão necessárias mais duas Sessões para que seja a Fundadora “ Venerável”.

A Serva de Deus Madre Maria Catarina Troiani, foi fiel na observância dos Mandamentos da Lei de Deus, dos preceitos da Igreja, dos votos religiosos, das obrigações do próprio estado, chegando à prática em grau heroico das Virtudes Teologais – Fé, Esperança e Caridade – das Virtudes Cardiais – Prudência, Justiça, Temperança e Fortaleza, bem como da Humanidade e Simplicidade, conforme consta no Processo de sua Beatificação e Canonização

MADRE CATARINA TROIANI, EDUCADORA E MISSIONÁRIA

A frase evangélica do único, verdadeiro e eterno Mestre: “ Deixai vir a mim os pequeninos, porque deles é o reino dos céus” constituiu sempre, através dos séculos, o amor, o objetivo e o programa dos Santos, especialmente dos Santos educadores, exercendo neles um fascínio particular e uma influência determinante. Falar do método educativo dos Santos não é fácil e simples, porque é a expressão profunda e vital de sua interioridade harmoniosa, porém falar de Madre Catarina como educadora e missionária o é ainda mais. De fato, nada ou quase nada existe coligido ou de valor crítico, sendo necessário usar da indiscrição para penetrar das sutilezas dos seus escritos, a fim de descobrir o espírito apostólico e missionário. Porém no centenário do reconhecimento canônico  e do nascimento oficial de seu benemérito Instituto, o primeiro Instituto Missionário Feminino Italiano, das Irmãs Franciscanas Missionárias do Coração Imaculado de Maria, apraz-nos salientar alguns desses aspectos particulares da poliédrica figura da Fundadora Catarina Troiani, com o desejo de que sirvam de oportuna reflexão a quantos ainda hoje se dedicam à educação da infância neste nosso tempo agitado, mas aberto a sempre novos horizontes.

Grande parte de sua vida, Madre Catarina a dedicou à escola e às crianças. A didática de Madre Catarina se desenvolve e se movimenta sobre linhas próprias e congeniais dos Santos educadores da época: de São João Bosco e Beata Maria de Mattias e aos outros grandes educadores , e se insere no tempo e no clima renascentista , de que Madre Catarina é heroína da Fé  e também da Pátria.

O provérbio da época: “ Façamos a Itália, mas é preciso antes formar os italianos”, deve ter penetrado em seu grande coração e adquirido o mais profundo significado interior e espiritual. Iniciou por isso a reconstrução das consciências pela raiz e cooperou profundamente para o renascimento de novas gerações da Itália, convicta de que o inimigo a derrotar não era apenas a ignorância instrumental, mas sobre tudo a espiritual. De fato concentrou toda a sua atividade nestas palavras: assistência e instrução, educação e formação, diretiva que se repetirá na missão do Egito, abrindo logo sua chegada, uma escola, sua primeira preocupação. Convencida de que todos ao males sociais procedem da ignorância, fez por isso da casa de Cairo não somente um centro de assistência, mas de instrução, educação e formação. Antecipou nisto os nossos tempos, e somos quase tentados a dizer que esses princípios são hoje o fundamento dos cânones da educação integral. Dando início pois à instrução aos povos negros, dos quais diziam que quantos mais pretos eram de rosto, tantos mais brancos eram de alma, lançou ainda naqueles tempos as bases do hodierno código dos direitos do homem, e com a obra educativa e assistencial atingiu os princípios da nova fronteira: “ Se uma guerra deve ser feita, que seja contra a miséria, se uma guerra deve ser iniciada que seja a contra a ignorância”. Aplicou por isso, fielmente, o princípio: “Reconheço na Religião a base de toda educação sistematizada e de toda felicidade pública ou privada.

Os seus melhores anos, de fato, foram por ela empenhados a combater a combater o espírito anticristão, leigo e materialista que invadiu também as escolas com a penetração de sectarismo jacobino da Itália, herança do iluminismo, do racionalismo e da revolução francesa. De fato, para remediar a esse estado de coisas, ao abandono quase total e à ignorância mais negra da infância, o bispo Buschi chamou a Ferentino, no fim de 1700 as Oblatas Clarissas de Fiuggi, a primeira semente do novo Instituto. O ensino da época era exclusivamente leigo e reservado às classes mais abastadas. Madre Catarina reage a essas circunstâncias , assumindo a tarefa e a missão de mestra cristã dos pobres no Conventinho de Santa Clara da Caridade de Ferentino, acrescentando à primitiva e quase exclusiva tarefa de suas mestras, Oblatas Clarissas de Ferentino, “ o ensino da doutrina cristão”, àquela (tarefa) de ensinar a ler. Nesse espírito  e nessa luz podemos ainda considerá-la quase localizadora da escola popular, uma vez que superando não leves dificuldades, ela quis que se ensinasse também a escrever, fato que, arraigados preconceitos da época impediram, porque era tido como veículo de imoralidade e corrupção, especialmente para as meninas.

Implanta  assim as grandes linhas e lança as bases de uma espécie de uma escola popular, corrige os erros dos métodos da época, o mais graves dele o de separar a instrução da educação, que eram concebidas como sucessão de atos diferentes, descontínuos, e não como processo ligado e unitário;  erro letal que tantos males causou no mundo, dividindo o homem e a sua atividade cultural do seu modo de ser natural. Trabalha definitivamente para restituir ao homem a sua unidade harmônica como Deus o quis e o criou. Além disso, combate ao analfabetismo instrumental e espiritual, princípios que hoje é a base dos nossos novos programas didáticos. Tudo pois, terá lógica e natural conclusão na missão: na abertura da primeira escola em Cairo, no Egito, que como já dissemos, será centro não somente de assistência, mas de instrução, educação e formação e culminará na obra de resgate das negras e na preparação dos novos povos da África e debruçar-se na cena internacional, coroando o seu sonho longamente acalentado. Nisto foi deveras pioneira  e deve ser considerada a mulher da nova fronteira, quase pressaga na célebre frase de Kennedy: “ Se há uma guerra para ser feita, que ela seja a luta contra a miséria e a fome, mas sobre tudo contra a ignorância.”

Madre Catarina trabalhou incansavelmente para tornar o homem melhor e para reconduzi-lo àquela moral de perfectibilidade da qual ele é capaz: “eis o grande objetivo de todo estudo e obra de todo mestre”. As diretivas e os princípios que ainda enunciaremos e com os quais Madre Catarina improvisou sua ação educativa foram difundidos em nossa região pela obra do grande e infatigável apóstolo mestre: o agostiniano Beato Bellesini, vigário de Genazzano, no Santuário de Nossa Senhora do Bom Conselho. Parece um traço acidental com a nossa Igrejinha do Bom Conselho e com a nossa Madre Catarina, mas os caminhos da Providência são verdadeiramente infinitos e imperscrutáveis e a santidade verdadeiramente diversificada. Nele, por certo, inspirou-se a outra grande filha da Ciociaria, a Beata Maria de Mattias, iniciadora das escolas para os filhos do povo.

Já dizia o Beato Ballesini: “ Em nenhuma conta se deve ter a ciência, se ela não conduz à virtude. O homem honesto será sempre preferido ao homem sábio, e cada educador deve esforçar-se mais para moldar o coração de seus educandos, que instruir-lhe a mente”, preparando-os assim para tornarem-se filhos obediente, pais exemplares, amigos sinceros, cidadãos fiéis e honestos. Parece quase ouvir-se ecoar as palavras dos justos: “Sem homens doutos o mundo poderia bem caminhar, mas sem homens bons todas as coisas seriam subvertidas”. E ainda as palavras de Mazzini: “A que serviria atulhar a mente de conhecimentos se estes não chegam a mover o coração”? Oi ainda: “edificam mais os caminhos do coração que os da inteligência” ( constrói-se mais através do coração que da inteligência) e ainda tudo quanto hoje se afirma sobre os princípios de autoformação.

De fato, Madre Catarina repetia frequentemente: “É preciso falar com convicção mais aos corações que às mentes”. Ainda no seu magistério exigia amor sincero para com as crianças, porque só se é verdadeiro mestre quando se ama verdadeiramente os educandos e quando se é absolutamente imparcial. “ A mestra, de fato, dizia, não somente tem que evitar todas as imparcialidades, mas até as suspeitas”. Além disso, na sua obra educativa, substituiu o terror da punição pela convicção e pela consciência do dever, a atitude nem sempre benévola dos educadores da sua época pelo sentido maternal da compreensão, o velho costume da parcialidade e da casta pela igualdade para com todos, sem nenhuma distinção, como filhos de um mesmo Pai. Mas um outro sentimento que já delineia sua alma aberta para com todos, isenta de parcialidades, é a convicção de que na escola não se permeia a origem, a condição social, e sim, o cumprimento dos próprios deveres e a virtude, portanto, os filhos de ricos e de nobres não devem gozar de nenhum privilégio no âmbito da escola, praticando desse modo um princípio social extremamente revolucionário para a sua época e que terá plena atuação, aprovação e fulgor na terra de missão. De fato, onde sobretudo brilhou e se contemplou  a obra de Madre Catarina foi mesmo na missão, na África negra, naquele Egito, onde chegou como pioneira de Deus, mensageira da paz, de amor e de fraternidade em Cristo e precursora de civilização, isenta de qualquer sombra de demagogia. A respeito dela se escreveu: “ Ela foi a primeira mulher italiana que aportou as margens do Rio Nilo e levou à terra dos Faraós o amor de Cristo e o idioma de Dante”. Por isso, ainda hoje, como naquele tempo, o Egito a recorda como “La mamma buona”. E chama as suas filhas com o nome de “ boas Irmãs de Ferentino”, as nossas queridas Irmãzinhas como o nosso bom povo gosta de chamá-las.

Tanto em Ferentino, durante grande parte de sua vida, como em Missão, Madre Catarina trabalhou, dedicou e dirigiu todo o seu apostolado a cultivar o homem todo, no corpo e no espírito de honra e de probidade, a fim de eu pudesse ter êxito, em qualquer circunstância, o bom cidadão. E finalmente se empenhou a ultimar e completar a grande obra: “ trabalhar para tornar o homem Cristão, isto é, melhor, porque é isto que completa e aperfeiçoa cada embrião social e torna digna a obra do verdadeiro educador e do autêntico missionário de Cristo.

Ainda hoje, suas filhas espalhadas pelo mundo todo, através de suas múltiplas obras seguem essa trajetória e continuam a dupla tarefa de educadoras e missionárias, e o Capítulo que está sendo realizado é um sinal evidente disso.

Então, a mulher forte e inteligente de Ciociaria fortaleceu-se na dor e na desgraça familiar, formou-se para o amor de Cristo e para o ideal missionário no ninho de Santa Clara da Caridade em Ferentino, prenunciou quase os tempos ovos da época conciliar e da colaboração internacional, dando ao mundo, à Pátria, à Igreja um novo Instituto, o primeiro Instituto Feminino Missionário Italiano: as Missionárias Franciscanas do Coração Imaculado de Maria, já chamadas do Egito. Os Santos e as almas fortes e  generosas são mesmo os construtores da Igreja, comunidade dos filhos do povo de Deus e do mundo novo sob a ação iluminadora  e santificadora do Espírito Santo. Ferentino e sua Diocese, através deste humilde e grande filha, que logo esperamos suba às honras dos altares, trouxe a sua pedra para a construção de um mundo mais humano e mais digno de homens filhos de Deus. Que isto sirva de empenho e de estímulo para cada um de nós, para sermos cada vez mais melhores, porque de outro modo nada significariam os exemplos dos santos, dos heróis verdadeiros a das almas grandes e generosas. Portanto, sem a menor sombra de exagero pode-se afirmar que no coração do benemérito Instituto das Franciscanas Missionárias vibra a têmpera forte dos Ernícios, pulsa um coração “ciociaro” e nas suas veias corre o sangue Ferentino. De fato, o primeiro grupo de Irmãs que foi  para o Egito, a fim de dar vida ao novo Instituto foi constituído somente de seis irmãs de Ferentino, incluindo a superiora abadessa Convento de Ferentino, Madre Aloísia Castelli, quase a continuação e a aprovação oficial com o “cepo” ferentinense, por adoção, e guia oficial daquelas que levantaram âncora, com o título de Superiora Geral da Nova Missão. Realizou-se assim um simples transplante, ou melhor, um enxerto, mas sobre as raízes da primitiva obra ferentinense, e um desenvolvimento e crescimento daquela semente que se originou e despontou em Santa Clara da Caridade. Assim, à primitiva fisionomia, quase exclusivamente de formação pessoal e franciscana, acrescentou-se como complemento a do amor e da doação aos irmãos, sobre as normas do mais autêntico e excelente programa franciscano: “ Francisco, homem católico e todo apostólico não quis viver somente para si mesmo, mas guiado pelo zelo de Deus quis ser útil aos outros”. Adquiria assim nova e definida fisionomia, com caráter eminentemente social e apostólico, o Instituto de Ferentino.

Florescia então, através de lutas e incompreensões, o primeiro Instituto Feminino Missionário Italiano, a obra de Madre Catarina Troiani, que nasceu em Giuliano de Roma, e em tenra idade experimentada pela sorte e pela desventura foi recolhida, materna e afetuosamente em Santa Clara da Caridade, onde viveu uns quarenta e dois anos, inflamando-se do amor de Cristo e do ideal missionário.

E Ferentino ainda a espera de volta depois de tão prolongada missão para juntá-la aos ossos das suas boas mestras e co-irmãs que dormem aqui sob a igreja, veladas por aquela admirável e doce imagem da Mãe do Bom Conselho que ela ( M. Catarina) doou a esta igrejinha construída quase com suas mãos, e que ela quis fosse guardiã de sua obra, e aos pés da qual ela depositou ansiedades, dores e aspirações, consagrando a sua vocação missionária ainda por desabrochar. Mas sobretudo para que proteja este seu ninho e este seu berço, ainda impregnado do seu  espírito e do perfume de suas virtudes, e conduza o seu Instituto para novas metas e novos horizontes; e enfim, para que aos pés deste morro, sob o maternal e abençoado olhar da Mãe do Bom Conselho, renasça, cresça e se difunda pelos caminhos do mundo uma nova primavera missionária coma a eterna e sempre atual mensagem cristã:

“ O amor que  se doa e não se pede, a doce esperança em Deus, soergue e encoraja a fé, que irradia o caminho dos céus”.

Ferentino, 11 de agosto de 1968.

ORAÇÃO

Senhor.

No silêncio deste dia que amanhece, venho pedir-Te a paz, a sabedoria, a força. Quero olhar hoje o mundo com os olhos cheio de amor; ser paciente, ser compreensivo, manso e prudente; ver além das aparências humanas, teus filhos. Como Tu mesmo os vês, e assim não ver senão o bem em cada um.

Cerra meus ouvidos a toda calúnia. Guarda minha língua de toda maldade. Que só de bênçãos se encha meu coração. Que seja tão bondoso e alegre, que todos quantos se achegarem a mim sintam tua presença.

Reveste-me de tua graça, Senhor, e, que no decurso deste dia eu não Te ofenda, e Te revele a todos.