“ VOLVER ÀS FONTES DE TÔDA A VIDA CRISTÃ E AO ESPÍRITO PRIMITIVO DO INSTITUTO”
P.C.2

VOLTA AS FONTES

a) Sendo norma fundamental da vida religiosa SEGUIR A CRISTO COMO ENSINA O EVANGELHO, esta norma devem tê-la todos os institutos por sua regra suprema.

b) É vantajoso para a igreja que tenham todos OS INSTITUTOS SUA PECULIAR FISIONOMIA E FUNÇÃO. Por conseguinte, INTERPRETEM-SE E OBSERVEM-SE FIELMENTE O ESPÍRITO E AS FINALIDADES PRÓPRIAS DOS FUNDADORES, COMO TAMBÉM AS SÃS TRADIÇÕES, pois que tudo isso constitui o patrimônio de cada instituto.

Fonte única, genuína é Cristo e Seu Santo Evangelho! Estudando nossa Fundadora, vemos que ela não se fixa em Santa Isabel, Santa Clara e São Francisco como fontes, mas observa o modo como atingiram a Fonte Verdadeira, Cristo e Sua vida. Num empenho sério para melhor interpretar e mais fielmente observar o espírito e as finalidades próprias dos Fundadores, colunas básicas de nossa congregação, e o patrimônio que nos legaram, é que as 24 Junioristas de 1969 realizaram o primeiro trabalho de pesquisa. São Francisco, o inspirador evangélico, e Madre Catarina, a Missionária autêntica, são os luminares da Fé e da Caridade até o heroísmo; é preciso pensar, sentir e agir com eles.

Neste “ voltar às Fontes”, sorvemos a águas cristalina e pura de sua espiritualidade, para perpetuar a vida evangélica missionária que nos legaram.

O Papa João XXIII nos adverte: “ É importante, antes de mais nada, reparar os males presentes e fazer reflorir no mundo, uma época melhor. Que os discípulos de São Francisco, por seu ministério e Suas obras, façam reviver São Francisco no mundo; e que a lembrança dele e sua pregação de penitência, da caridade, chamem os pecadores ao amor e à prática do bem”.

Como a chave de toda renovação é a volta às fontes e a abertura à realidade atual, oportuno e interessante é conhecer e orientar-se pelos Fundadores, para uma segura atualização de espírito e vida, aderindo sempre mais Àquele que é sempre atual – CRISTO E SUA DOUTRINA.

ORAÇÃO DE SÃO FRANCISCO

Faze-me Senhor um instrumento de Tua paz.
Onde há ódio, que eu leve o amor.
Onde há ofensa, que eu derrame o perdão.
Onde há discórdia, que eu logre a unir.
Onde há dúvida, que eu acenda a fé.
Onde há erro, que eu semeie a verdade.
Onde há desespero, que eu anuncie alegria.
Onde há trevas, que eu difunda  luz.
Ó Mestre, que eu procure ser consolado, mas consolar;
que eu não busque ser compreendido, mas compreender;
que eu não deseje ser amado, mas amar.

Porque:
é dando que se recebe;
esquecendo-se que a gente se encontra;
perdoando, que se é perdoado;
morrendo, que se ressuscita para a vida eterna.

SÃO FRANCISCO DE ASSIS E O FRANCISCANISMO

No coração da península italiana, tão no coração que de nenhum lado o mar banha, se encontra a região que se chama Úmbria. Um punhado de casas lançadas ao flanco ocidental do Subásio, e eis, de longe, a pérola da Úmbria-Assis.

ASSIS – Exatamente em seu centro, nas vizinhanças da praça do povo, surgia pelos fins do século XII a casa de um mercador de tecidos. Pedro Bernardone, sagaz mercador, não só trouxe da França mercadorias que iriam constituir gloriosa indústria italiana, como também a eleita de seu coração, dona Giovanna Pica, nobre de nascimento, tão delicada e calma quanto o marido era espertalhão e violento.

23 de setembro de 1182 – Filho de Pedro e Pica Bernardone, nasceu Francisco em Assis, um dos maiores santos do catolicismo.

26 de setembro de 1182 – O menino foi levado à Pia Batismal, na Igreja de São Rufino, recebendo de sua mãe o nome de João, o qual foi mudado para Francisco, pelo pai, em gratidão à França que o enriquecera.

Sua vida pode ser resumida em quatro períodos:

  1. 1182 – 1194 – Infância
  2. 1194 – 1205 – Experiências militares
  3. 1205 – 1209 – Inspirações divinas
  4. 1209 – 1226 – Apostolado heroico

 

1º PERÍODO – INFÂNCIA

Transcorreu num ambiente bastante contraditório. O pai era ambicioso; almejava para o filho a cavalaria, queria vê-lo um grande senhor! A mãe era humilde, simples e de alma nobre. E o menino aprendia do pai os ardís e os riscos do comércio; da mãe, as orações fiéis, as canções dos trovadores.

De inteligência arguta, espírito alertado, o amor de Deus e das criaturas supriam, de sobra, as deficiências da instrução. E, assim, pode ser São Francisco, pela inspiração que do Alto recebia e nos outros insuflava, “ Precursor do Renascimento”. Alegre sempre, inconveniente nunca. Grosserias, palavradas, vulgaridades repugnavam-lhe tanto como manchas nas roupas e nódoas de gordura ou de vinho nas toalhas, porque, se era elegante no traje, antes de tudo o era no pensamento, e antes das belezas das coisas amava a alma.

 

2º PERÍODO –  EXPERIÊNCIAS MILITARES

Como todo adolescente não tinha ainda uma personalidade nitidamente definida, contudo, duas facetas se mostravam com evidência: a alegria de conviver e o espírito de fraternidade. Com coragem e heroísmo procurou realizar seu ideal de ser cavaleiro, de poder servir aos grandes príncipes.

1202 – Guerra entre Assis e Perugia. Francisco é feito prisioneiro no combate de São João. Na prisão Francisco fora o arauto de alegria e anjo pacificador.

Novembro de 1203 – Paz entre Perugia e Assis. Francisco foi libertado e tornou a sua Pátria.

1204 – Caiu gravemente doente, mergulhando-se na meditação sobre as vaidades do mundo. Devem datar dessas horas os primeiros movimentos de seu coração para Deus, que o esperava numa volta da vida.

Antes, porém, tornou ainda às companhias da juventude arrebatada e alegre. E continuou a sonhar com as galas do mundo, as glórias guerreiras.

 

3º PERÍODO –  INSPIRAÇÕES DIVINAS

Distinguimos neste período três etapas:

  1. 1205 – O sonho
  2. 1206 – A exortação do crucifixo
  3. 1209 – A leitura do Santo Evangelho

1. O sonho – Quando, em fins do ano de 1205, Francisco se dispunha a participar de uma cruzada, eis que em sonho lhe é mostrado um arsenal guerreiro, ao que ele compreende que se tornaria um soldado de Deus.

Sem dar tanta importância ao sonho, parte com os demais cruzados, mas em Espoleto adoece e obedecendo a uma voz que escuta, volta a Assis.

1205 – Peregrinação a Roma, onde, trocando roupas com um mendigo, esmola às portas de São Pedro.

1206 – Abandonando o bulício do mundo, entrega-se Francisco a longas meditações nas cercanias de Assis. Encontro com um leproso, a quem, depois de vencida a primeira impressão de asco e fuga, abraça, beija e entrega a bolsa cheia de moedas.

Desta época em diante começou a alvorecer em sua alma a claridade que nunca mais se apagou.

2. A exortação do Crucifixo – Na pequena Igreja de São Damião, pela qual Francisco compreende, embora só mais tarde, que não iria edificar sobre pedras, mas nas almas; não iria fundar capelas, mas ordens religiosas, não restauraria somente esta ou aquela igreja, mas a “ Igreja”.

1207 ou 1208 – Na presença do Bispo de Assis, encontro de Francisco com seu pai, a quem entrega as roupas único bem que ainda possuía, ficando nu, ao que o Bispo o recobre com seu próprio manto.

3. A leitura do Santo Evangelho – Em 24 de fevereiro de 1209, festa de São Matias, na Porciúncula, vem assinalar a terceira vocação de Francisco que se persuade de iniciar com Bernardo de Quintavale e outros uma vida em comum de absoluta pobreza dedicada a Deus. Uma miserável choça em Rivotorto acolhe os dois novos apóstolos e seus sequazes. Neste lugar Francisco escreve Regra da Ordem que vai fundar.

Abril de 1209 – Escutando-o enlevados, e , sobretudo, enternecidos, com seus exemplos de renúncia de fé, começaram a aparecer os primeiros discípulos.

 

4º PERÍODO –  APOSTOLADO HERÓICO

Francisco inicia com os demais companheiros as viagens, os trabalhos e as pregações apostólicas.

1210 – É aprovada a Regra dos Frades Menores por Inocêncio III. Foi chamada “ Vivae Voces Oráculo”, por ter sido a sua aprovação oralmente.

1211 – Os Frades deixam Rivotorto e passam para a Porciúncula. Em torno da Capelinha forma-se um viveiro de almas a subir, fortes e heróicas, centro da Ordem dos Frades Menores, a irradiação mundial do amor ao longo dos séculos.

18 de março de 1212 – Funda-se a Segunda Ordem – Damas Pobres. Na capela de Porciúncula, engrinaldada de luzes, Clara é recebida pelo Poverelo e seus discípulos, aceitando seu juramento de servir a Deus sem riquezas e com humildade.

Nos primeiros dias de outubro, neste mesmo ano, Francisco com um de seus companheiros empreende a primeira viagem missionária. Dirigiam-se a Síria, mas uma tempestade não permitiu que prosseguissem. Voltaram à pátria sem poder realizar a missão que tinham em mira.

1213 – No começo do ano em Assis, estando a duvidar sobre o seu próprio destino de eremita ou de pregador, Francisco pede conselhos a Clara e a Silvestre que, por inspiração divina, lhe dão idêntica resposta: Prosseguir procurando salvar almas para Cristo.

Em março ou maio encontrou com o Conde Orlando Cattani que lhe fez a doação do Monte Alverne, em Arezzo, lugar propício para aqueles que desejassem viver em penitência e oração. Em julho deste mesmo ano, Francisco realizou sua segunda viagem missionária. Tencionava, com alguns irmãos, chegar em Marrocos para pregar o Evangelho aos mouros, mas na Espanha cai doente e volta sem poder realizar seus objetivos. Mais uma vez Deus lhe fechava o caminho das cruzadas e no seu coração crescia sempre mais a sede do martírio.

1215 – No dia de Pentecostes realizou-se o Iº Capítulo da Ordem, em Porciúncula no mesmo ano em que se realizava em Roma o IV Concílio de Latrão.

Por ocasião deste Concílio, Francisco e Domingos se encontram em Roma. Domingos propôs a fusão das duas fraternidades. Francisco admira a ideia, mas não pode aceitar. Todas as duas estão a serviço do Salvador, mas de maneira diversa, Francisco desejava salvar o mundo com o coração, Domingos com a dialética.

2 de agosto de 1216 – O Papa Honório III concede a   Indulgência da Porciúncula.

Quando o Papa lhe perguntou quantos dias de indulgência desejava, Francisco responde: “Não desejo tempo, mas sim, almas”. Quando o Papa lhe oferece as letras testemunhais da Indulgência, Francisco, que no seu espírito de pobreza nada queria possuir, recusa até mesmo o documento pontifício, dizendo que, para aprovação da Regra bastou a palavra de Inocêncio, também agora não precisava de mais. Os cardeais presente julgaram-no um atrevido.

14 de maio de 1217 – Capítulo de Pentecostes em Assis, na qual fica decidido o envio de missões ao estrangeiro.

1217 ou 1219 – Realizou-se um dos Capítulos mais memoráveis da Ordem:  o Capítulo das Esteiras. Cinco mil frades dele participaram. Numerosos prelados e membros de outras Ordens Religiosas também assistiram, entre  estes São Domingos e sete de seus frades foram observar a expansão dos franciscanos.

1218 ou 1219 –  O Cardeal Ugolino, que em nome da Santa Sé protegia as Damas Pobres redigiu  e fez aprovar severíssima Regra, sugerida sobretudo por Santa Clara.

Neste mesmo ano Francisco empreendeu nova expedição missionária para Marrocos, afim  de converter os fiéis. Vai até o Egito de onde é chamado para tornar quanto antes a Assis, em vista de certas  irregularidades que ocorriam na Ordem.

13 de janeiro de 1220 – Ocorre o martírio dos cinco Frades, em Marrocos, entre eles Bernardo, o primeiro discípulo. Seus corpos foram sepultados na Igreja de Santa Cruz, em Coimbra, onde foram piedosamente recebidos.
Realizou-se neste mesmo ano novo Capítulo e Francisco passou o governo da Ordem a um Vigário Geral – Frei Pedro de Cattani.

1221 –  Morreu Frei Pedro e o governo da Ordem passou a Frei Elias de Cortona. Francisco redigiu, neste ano, uma nova Regra chamada “ não bulada” e fundou a Ordem Franciscana Terceira Secular.

1223 – Em Fonte Colombo, Sinai da Ordem Franciscana, Francisco dá a sua Regra a terceira e definitiva redação (tábua da lei franciscana) e o Papa Honório III aprova-a.

Julho de 1224 – Partiu Francisco de N. S. dos Anjos, com Masseo, Ângelo e Leão, os mesmos da primeira subida, afim de, no eremitério da montanha, fazer o jejum com que se preparava para a festa de São Miguel Arcanjo.

17 de setembro de 1224 – Na hora crepuscular, rosto voltado para o Oriente e alma tão pura que não mais encontrava motivo de sofrimento no mundo, o Santo fez a seguinte oração:

“ Ó Senhor, meu Jesus Cristo, duas graças Te rogo que me faças antes que eu morra: a primeira é que eu experimente na alma e no corpo a mesma dor que Tu, doce Jesus, sofreste na hora acerba da paixão; a segunda é que eu sinta, quanto possível, no meu coração o mesmo extraordinário amor que a Ti, filho de Deus, Te incendeia, a ponto de Te haver feito suportar voluntariamente por nós, pecadores, tamanha Paixão”

O pedido fora, pois, atendido! Recebeu no peito, nas mãos e nos pés, de alado Serafim os Sagrados Estigmas da Paixão de Cristo. O amor o transformara  no Amado, porque o homem se transforma sempre no que ama.

Agosto de 1225 – Apesar dos sofrimentos, prossegue Francisco em suas peregrinações  pelas cidades e aldeias da Úmbria. Dedica-se, de novo, ao cuidado dos leprosos. Recolhe-se a choupana que Clara lhe arranjara nos jardins de São Damião. Aí compõe o Cântico do irmão Sol, excetuadas as duas últimas estrofes, acrescentadas depois, a penúltima nesse ano, quando pacificou em Assis os partidos rivais e a derradeira no ano seguinte, ao pressentir a morte.

A corrida é tanto mais veloz quanto mais nos achamos próximos do termo. Nos últimos anos da vida, sentindo São Francisco crescer-lhe o desejo de fazer ouvir cada vez mais longe o apelo ao amor e à penitência, do mesmo modo que lhe decresciam as forças, recorreu ao papel, à pena e ao tinteiro e escreveu algumas cartas que fazem pensar nas Epístolas dos Apóstolos. A ternura paternal de São Francisco se fazia, à medida que a morte se aproximava, cada vez mais requintada. Abençoou seus filhos, cada um particularmente e ao cantar de tudo o que amara como dons de Deus, acrescentou as laudes da irmã morte.

1226 – Na noite de 3 para 4 de outubro, Francisco ainda com um fio de voz entoava o Salmo: “ Minha voz clama pelo Senhor”, quando a irmão morte lhe extinguiu a voz. Embora fosse noite os pássaros gorjearam e sobre a cabeça do santo revoaram, não se sabe se de júbilo ou de tristeza. E o santo foi cantar matinas no céu. Na tarde do mesmo dia, em cortejo que se deteve em São Damião, para a despedida suprema de Clara e de suas Irmãs, o corpo de Francisco foi transportado para a Igreja de São Jorge em Assis.

1227 – Realizou-se o Capítulo da Ordem e Frei João Parens foi nomeado sucessor de Francisco.

16 de julho de 1228 – Dois anos após a morte de São Francisco o Papa Gregório IX o canonizou, e, no dia seguinte ordenou que fosse lançada a primeira pedra da Basílica de São Francisco, em Assis.

1230 – O corpo de São Francisco é transportado para a Igreja inferior da Basílica de Assis. A cerimônia se realizou em 25 de maio, mas a transladação fora feita, em verdade, alguns dias antes, mandando Frei Elias encerrar os sagrados despojos em um túmulo, onde permaneceu durante quase seis séculos.

Enquanto, porém, seu corpo dormitava no silêncio dos séculos sua grande herança – as três Ordens floresciam sem rumor, como menores, quais os quis o Pai, alimentando no âmago da vida social uma corrente de misericórdia na simplicidade e na pobreza, ainda mais viças do que antes.

O Franciscanismo, como o Cristianismo, foi antes de tudo uma vida, uma experiência feita por São Francisco e por seus primeiros discípulos.

Nos fundamentos do Franciscanismo não encontramos uma doutrina, uma visão filosófica do mundo, mas uma série de intuições afetivas: nasceu ele do Poverello de Assis a Cristo e ao Evangelho. É, portanto, o Evangelho vivido integralmente, é o amor feito de realidade e de sacrifício, e que como realidade transforma-se em ação, como sacrifício transforma-se em pobreza.

O Franciscanismo divide-se em três partes: a primeira, apresenta-nos a fonte de todo o Franciscanismo : São Francisco em sua época, seu espírito e sua atuação. A segunda abrange toda atividade franciscana no decorrer dos séculos, surgindo almas generosas, apóstolos mártires, pregadores, missionários, gente simples, e, acima de tudo, gente fiel aos ensinamentos da Igreja Católica. A terceira parte contém propriamente a mensagem de São Francisco à humanidade de nossos dias.

Iniciando o movimento religioso que depois regularizou por meio das suas Três Ordens, São Francisco deu satisfação às duas maiores exigências da sua época: a reforma evangélica e a revalorização cristã da ação.

São Francisco reproduziu em sua vida a harmonia dos contrastes existentes em seu tempo, fundindo no seu espírito diversas formas de piedade, imprimindo, em sua obra um caráter novo: a santificação da ação que é o segredo da religiosidade moderna, tornando indispensável à vida atual que é toda ação.

Fora-lhe atribuído o título de “ Estrela D’alva” da Renascença. De fato, São Francisco iniciou o renascimento em sentido bem diverso do que é geralmente empregada a palavra, é certo e muito mais elevado; não é renascer da humanidade pelo conhecimento da antiguidade clássica, é renascer do homem e da terra toda, em uma ordem nova, a uma vida nova instaurada em Jesus Cristo, “pelo qual todas as coisas celestes e terrestres foram reconciliadas com Deus onipotente”. ! São Francisco quis que o mundo sentisse aquilo que o mundo quase sempre esquece ou antes, raramente chega a compreender: a felicidade sobrenatural da vida evangélica.

O Franciscanismo deve permanecer fiel a esse espírito de conquista pelo exemplo, pela amabilidade, pela palavra humilde e simples e, sobretudo, pelo amor. Deve ter um coração cheio de solicitude pela sorte de seus irmãos, sentindo o máximo desejo de conduzir todos os homens ao amor de Deus, abrindo assim suas almas ao gosto e a prática da fraternidade universal. Ele não pode deixar de ser, sem eu íntimo, um revolucionário, ao menos constatar que as relações entre os indivíduos, entre as classes sociais e entre as nações se efetuam sob o signo do egoísmo em vez de serem inspiradas pela caridade evangélica.

Certamente, o Franciscano é o revolucionário mais manso e menos perigoso que se possa imaginar. Um revolucionário sem ameaças, que não grita “abaixo”, armado apenas de amor inteligente, inventivo, impávido, mas em troca é um revolucionário tenaz, incansável, radical, pois estará satisfeito e deporá as armas somente quando o reino de Deus estiver realmente estabelecido em todo o mundo.

O Franciscano é, em suma, um revolucionário, um apóstolo de reformas sempre mais vastas e profundas. Um revolucionário que deseja a revolução, uma reforma que procura transformar o mundo, somente com o amor e com as puras e santas iniciativas da caridade.

Como a caridade não pode nascer do egoísmo, assim a união não pode resultar das divisões, nem o encontro, das separações.

Afinal, se dirigir os homens para um mundo melhor significa acender ou fazer brilhar mais viva nos corações e caridade, cada qual perceberá que o caminho mais direto para conseguir o fim é o de aproximar os homens com o coração cheio de caridade: facilmente o amor nasce doa mor, como a luz nasce da luz.

No pensar do Pe. Fr. Gemelli, o Franciscanismo, como interpretação da vida, como concepção do universo, como meio de retorno a uma vida cristã, tem ainda o que dizer ao mundo moderno.

Sob a proteção de Maria, como Francisco
Devemos viver o Evangelho
Na Igreja e participando da missão dela
Numa conversão contínua
Tendo Deus como primado de nossa vida
Vivendo como irmãos de todos os homens
Como pobres neste mundo
Em comunhão com a Páscoa de Cristo
Tornando-nos mensageiros de Paz.

BIBLIOGRAFIA:
São Francisco, renovador da humanidade
São Francisco de Assis – Maria Sticco Opúsculos
Documentos franciscanos
Apostilas dos diversos cursos de Franciscanismo
Visão franciscana da vida
Itinerário franciscano – Tradução de Frei Urbano Plentz
O Franciscanismo – Frei Agostinho Gemelli